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Dez tendências que devem transformar o turismo na próxima década, segundo a PhocusWire

16 de out. de 2026 5 min de leituraPor Raul Salustiano
Raul Salustiano
Dez tendências que devem transformar o turismo na próxima década, segundo a PhocusWire
Imagem: PIXABAY

O futuro do turismo será marcado pela transformação tecnológica, pela busca por personalização e pela necessidade de adaptação a um mercado em constante mudança. A análise também aponta uma lacuna no relatório: a ausência da sustentabilidade entre as tendências destacadas para o setor até 2036.

A transformação do turismo vai além da incorporação de novas tecnologias. Mudanças no comportamento dos viajantes, pressões econômicas e novas formas de consumir informação estão redefinindo a maneira como viagens são planejadas, comercializadas e realizadas. Diante desse cenário, profissionais e empresas do setor precisam conciliar inovação, eficiência operacional e atendimento personalizado para acompanhar as novas demandas do mercado.

O que aponta o relatório?

A indústria do turismo deve passar por novas transformações até 2036, impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial (IA), pelas mudanças no comportamento dos viajantes e pela crescente demanda por agilidade e personalização. Essa é a perspectiva apresentada pelo relatório Supercharging Travel: 10 Trends That Will Shape the Industry Over the Next Decade, elaborado pela PhocusWire com patrocínio da RateHawk. O estudo identifica dez tendências que devem influenciar a atuação de profissionais, agências e empresas de distribuição turística.

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As tendências abrangem a diversificação das viagens, a influência das redes sociais, a sensibilidade a preços, a reação à instabilidade, a agilidade operacional, a inteligência artificial agêntica, a qualidade dos dados, a infraestrutura tecnológica, a flexibilidade nos pagamentos e a valorização do atendimento humano.

Fonte: PIXABAY

A diversificação da demanda é apontada como um dos principais movimentos do setor. Os viajantes buscam experiências mais autênticas e personalizadas, incluindo turismo de bem-estar, destinos menos movimentados, viagens multigeracionais, estadias prolongadas associadas ao trabalho remoto e roteiros inspirados em produções audiovisuais. Para atender a essas preferências, as empresas precisarão ampliar a variedade de produtos e aprimorar sua capacidade de identificar ofertas adequadas a diferentes perfis.

As redes sociais também devem ampliar sua influência na escolha de destinos e serviços. Segundo dados citados pelo relatório, 64% dos viajantes da geração Z nos Estados Unidos tomaram decisões relacionadas a viagens com base em conteúdos vistos nessas plataformas. Vídeos curtos, influenciadores e comunidades digitais tendem a ganhar ainda mais relevância, exigindo estratégias de comunicação alinhadas aos hábitos das novas gerações.

Outro desafio é a sensibilidade aos preços. Embora o número de viagens permaneça estável, o gasto médio anual dos consumidores com viagens diminuiu, segundo dados da Phocuswright. A inflação e o aumento dos custos pressionam os orçamentos, enquanto os consumidores comparam as opções disponíveis com mais cautela. Nesse cenário, os profissionais do turismo precisarão demonstrar o valor de suas propostas e orientar os clientes sobre como equilibrar custos e qualidade.

A instabilidade geopolítica e econômica, as mudanças regulatórias e os riscos de interrupção dos serviços reforçam a importância da capacidade de adaptação. Uma pesquisa da RateHawk com 1.300 profissionais do setor identificou as mudanças nas regulamentações e políticas de viagem como um dos principais desafios para 27% dos entrevistados. Nesse contexto, a diversificação de fornecedores, a flexibilidade das reservas e a disponibilidade de alternativas tornam-se importantes para reduzir riscos e responder a imprevistos.

A agilidade operacional, por sua vez, ganha importância diante das expectativas dos consumidores. A tendência Moving Fast destaca que os clientes esperam respostas cada vez mais rápidas, especialmente em um ambiente digital marcado pela comunicação imediata. No levantamento, 24% dos profissionais consultados apontaram o atendimento às expectativas dos clientes como um desafio. A integração de ferramentas de pesquisa, reserva, pagamento e atendimento pode reduzir etapas e tornar os processos mais eficientes.

A transformação tecnológica também se manifesta na inteligência artificial agêntica, capaz de pesquisar informações, analisar alternativas, tomar decisões e executar tarefas, inclusive transações. No levantamento, 57% dos profissionais consultados demonstraram uma percepção positiva sobre o potencial da IA no trabalho. Sua adoção, contudo, depende de dados confiáveis, sistemas integrados e padrões que permitam a comunicação entre diferentes plataformas.

Nesse sentido, a qualidade dos dados e a modernização da infraestrutura tecnológica são fundamentais para o avanço da automação. Informações estruturadas e atualizadas, aliadas à integração entre sistemas e fornecedores, podem favorecer recomendações mais precisas, reduzir inconsistências e tornar os processos mais confiáveis.

O relatório também destaca os pagamentos flexíveis como um diferencial competitivo. A oferta de opções adequadas às necessidades dos consumidores pode facilitar a contratação de serviços e contribuir para a conversão de vendas, além de melhorar a experiência de compra.

Apesar da expansão da automação, o atendimento humano permanece central. Conhecimento especializado, confiança e capacidade de resolver problemas continuam sendo diferenciais dos agentes de viagens. A expectativa é que a tecnologia reduza o tempo dedicado às tarefas operacionais e permita que esses profissionais se concentrem na consultoria, na personalização das experiências e no relacionamento com os clientes.

O relatório conclui que a competitividade do turismo na próxima década dependerá da capacidade de combinar tecnologia, parcerias sólidas e adaptação contínua, sem perder o contato humano que diferencia o serviço especializado.

Análise

É importante ressaltar que a identificação de tendências não implica a certeza de que elas se concretizarão no futuro. Ainda assim, o relatório apresenta indicativos relevantes, sobretudo quando analisados sob uma perspectiva prática e voltada à dinâmica cotidiana do setor. Observa-se, contudo, um enfoque predominante em tecnologia e seus desdobramentos, com destaque para questões relacionadas a dados, eficiência operacional e inteligência artificial. Embora o estudo também aborde a diversificação da demanda, a instabilidade geopolítica e a relevância do atendimento humano, seu recorte deixa em segundo plano outras questões fundamentais para a economia global e local.

Créditos: Igor OvsyannykovFonte: PIXABAY

Entre essas lacunas, destaca-se a ausência da sustentabilidade como uma possível variável determinante para o turismo na próxima década. Essa discussão ganha relevância diante dos impactos das mudanças climáticas e da intensificação de eventos extremos, que afetam diferentes regiões do mundo e impõem desafios diferentes escalas.

Embora a sustentabilidade no turismo não seja um tema recente, sua relevância para o planejamento e a tomada de decisões no setor tende a crescer. As preocupações ambientais podem influenciar cada vez mais as escolhas dos viajantes, ao mesmo tempo que acordos internacionais, políticas públicas e transformações nas expectativas sociais contribuem para pressionar empresas e destinos a reverem suas práticas. Esse movimento também se relaciona à crescente crítica a um modelo econômico que compromete biomas, ameaça a biodiversidade e afeta os modos de vida e a organização das comunidades tradicionais. Nesse contexto, considerar a sustentabilidade nas projeções para o futuro do turismo não é apenas uma questão ambiental, mas também uma reflexão sobre a viabilidade econômica e social do próprio setor.

Declaração sobre o uso de inteligência artificial

Este artigo contou com o apoio de inteligência artificial em diferentes etapas de seu processo de produção. O conteúdo final foi revisado e validado pelo autor.

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Raul Salustiano
CCAO do Grupo Festina · Especialista em Negociação e Desenvolvimento de Parcerias

Atuo na construção de relações estratégicas entre pessoas, organizações e negócios, com foco em negociação, desenvolvimento de parcerias e identificação de oportunidades. Tenho interesse em compreender o que existe por trás de cada relação: diferentes interesses, perspectivas, contextos e possibilidades. Gosto de aproximar pessoas e ideias, encontrar pontos de convergência e construir caminhos que façam sentido para os envolvidos. Minha atuação combina visão estratégica, capacidade de negociação e curiosidade para entender o contexto antes de tomar decisões. Acredito que boas parcerias não nascem apenas de interesses em comum, mas da capacidade de compreender diferentes perspectivas e construir confiança ao longo do caminho. É nesse espaço entre pessoas, negócios e contextos que vejo surgir novas ideias, oportunidades e possibilidades de construção conjunta.

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